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Inglês e carreira


Descuido no idioma

Na América Latina, os executivos brasileiros estão entre os menos fluentes em inglês*

Quando feitas em uma seleção de emprego, perguntas em inglês deixam boa parte dos brasileiros acanhados, mesmo os mais graduados. É o que aponta pesquisa da Stanton Chase, empresa de recrutamento e seleção de executivos do Grupo Foco. No ranking latino-americano, os brasileiros estão entre os que menos dominam o inglês. No topo da lista ficam os mexicanos, argentinos e chilenos - respectivamente, 92%, 86% e 67% deles estão aptos a usar o idioma no trabalho. No Brasil, o índice é de 64%, pouco abaixo da Colômbia e da Venezuela, por exemplo.

- O brasileiro preocupa-se primeiro em se formar ou fazer uma especialização. O idioma é sempre deixado de lado - compara Iônio Mello, diretor-executivo da Stanton Chase.

Em três escolas de idiomas pesquisadas em Brasília, mais de 60% dos alunos estão empregados e vêem no segundo idioma uma oportunidade de ascensão na carreira. Segundo Cláudio Garbi, dono das franquias, os jovens só começam a se dedicar ao inglês no Ensino Médio, quando se interessam de fato pelo mercado de trabalho.

- Quando conseguem um emprego, abandonam o curso porque não conseguem conciliar estudo e trabalho - destaca o empresário.

Garbi afirma que já existe um aumento na procura por cursos diante da Copa de 2014, que vai exigir profissionais ainda mais preparados para atender ao turismo.

- Fica cada vez mais evidente para os alunos que o conhecimento é imprescindível a fim de se garantir o sucesso. Muitos já se dedicam para os testes de proficiência - completa Maria Lúcia Willemsens, diretora-superintendente da Cultura Inglesa.

Sem sair do país, os profissionais podem prestar esses exames em escolas de idiomas (veja quadro). Mas só o certificado de fluência não abre portas. Há empresas que testam, na prática, a habilidade dos profissionais em um segundo idioma.

- A maioria dos candidatos coloca no currículo que tem fluência, mas leva um susto quando descobre que a entrevista vai ser em inglês - relata Ana Christina Almeida, consultora do Grupo Foco RH.

Por isso, a primeira dica é deixar claro no portfólio o real domínio da língua estrangeira. E certificar-se antes do que será cobrado na seleção.

- O comum é aplicar exame oral, mas há empresas que fazem a prova escrita. Algumas exigem até exames de proficiência - alerta Virgínia Gomes de Caldas, gerente de recursos humanos da empresa de recrutamento e seleção Spot.

 


Prepare-se:
NA PONTA DA LÍNGUA
As dicas de consultores para testes de inglês durante a seleção:


    > Deixe claro, no currículo entregue, qual é o seu verdadeiro domínio da língua estrangeira. Há empresas que costumam checar a fluência em testes orais e escritos.


    > Treine antes da entrevista. Por mais que você tenha fluência, há o nervosismo tradicional em uma entrevista de emprego. Tome cuidado para não se prender a respostas prontas. Você pode ser surpreendido.


    > Leia, um dia antes da entrevista, artigos e publicações voltadas para a área da vaga pretendida. Além de ficar a par dos termos que certamente serão usados pelo recrutador, você vai ao teste atualizado.


    >  Não misture linguagem formal com informal. Privilegie a linguagem menos coloquial. Lembre-se de que você precisa convencer o selecionador. E passar seriedade conta pontos na seleção.

Fontes: Virgínia Gomes de Caldas, gerente de recursos humanos da Spot, e Ana Christina Almeida, consultora do Grupo Foco RH

 

*Artigo do Correio Braziliense publicado no caderno "Emprego e Oportunidades" do jornal Zero Hora de 17/08/08..

 

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